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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

TRECHO DO LIVRO -  " CONTRIBUIÇÕES DO ESPIRITISMO À MEDICINA .
AUTOR - VITOR LEONARDO DA SILVA CHAVES

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CAPÍTULO I
1. MEDICINA E ESPÍRITISMO

1.1.       Sendo a Medicina o saber que estuda o funcionamento do corpo humano e que tem por finalidade prevenir e curar os distúrbios que possam afetar essa atividade, forçosamente terá seus conceitos afetados pelas novas contribuições trazidas pela Doutrina Espírita.
1.2.       Além de ela trazer uma nova concepção de Ser humano, pois este é o Espírito e o corpo físico apenas um instrumento dele, fornece mais duas outras noções que são a do perispírito e a do princípio vital (energia vital). O perispírito seria um outro instrumento que o Espírito se serviria para as intermediar as relações entre ele e o corpo físico. O Espírito não age diretamente no seu instrumento físico. Ele o faz através do perispírito. O princípio vital é responsável pela vida orgânica. O Espírito só reencarna em corpo “vitalizado” por essa energia (citações no item 1.4.). O Espiritismo ressuscita a doutrina vitalista.
1.3.       A noção de perispírito é inteiramente estranha à Medicina presente (item 8.4. desse livro). Sendo o Espírito a instância humana que pensa e que sente, toda expressão e manifestação físicas desses dois atributos têm uma passagem pelo perispírito, em ambas as direções. Temos que admitir que o conhecimento do alcance e da limitação do perispírito e de seu modo de funcionar revolucionará todos os conhecimentos médicos. LM 54 “(...) no conhecimento do perispírito está a chave de inúmeros problemas (...).”; GE 1:39  “O perispírito representa importantíssimo papel no organismo e numa multidão de afecções, que se ligam à fisiologia (...).”; GE 1:40 “O estudo das propriedades do perispírito (...) dá a chave de uma multidão de fenômenos (...).” OP. Pg 45 “Quando as ciências médicas tiverem na devida conta o elemento espiritual na economia do ser, terão dado um grande passo e horizontes inteiramente novos se lhes patentearão.”; A Obs. P. 181 (Estudo dos Possessos de Morzine; 2º Artigo): “Sua causa está inteiramente no perispírito (...), cuja descoberta (...) abrirá horizontes novos à ciência (...). (...) o perispírito representa importante papel em todos os fenômenos da vida (...).”
1.4.       Outro conceito que o Espiritismo trará para a Medicina é o Vitalismo. Da LE 21 à LE 28 é explicado a relação entre Espírito e matéria e todo o Capítulo IV da 1ª. do LE discorre sobre o fluido universal. No comentário a LE 70, é dito claramente que a vida orgânica é produzida pela vitalização do corpo físico por esse fluido universal, podendo o Espírito já está desencarnado e o corpo físico ainda apresentar sinais de vitalidade. Talvez é o que ocorre nos centros de tratamento intensivo. O Espírito já se desprendeu da matéria, mas os aparelhos de respiração artificial, as medicações que mantêm o coração em atividade, preservem essa força vital, evitando a morte física do organismo, sua decomposição. É de conhecimento popular que os animais poiquilotérmicos mantém a vitalidade de órgãos separados do corpo por mais tempo que os homeotérmicos. Exemplo: corações de rã, de peixes e de cobras. É provável que os corpos físicos dos primeiros tenham mais energia vital que os dos segundos. Esta é a razão porque seus órgãos separados do corpo, após o abate do animal, perdurem por tanto tempo. LE 70 Nota: “Os corpos orgânicos são, assim, uma espécie de pilhas ou de aparelhos elétricos, nos quais a atividade do fluido determina o fenômeno da vida. A cessação dessa atividade causa a morte.” LE 136 A “A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo privado de vida orgânica.”LE 140 A Nota “A alma atua por intermédio dos órgãos e os órgãos são animados pelo fluido vital (...).”  LE 146 A Nota “(...)a sede da alma se encontra especialmente nos órgãos que servem para as manifestações intelectuais e morais.” LE 156 “O corpo é a máquina que o coração põe em movimento. Existe enquanto o coração faz circular nas veias o sangue, para o que não necessita da alma.” Vide item 5.7. de nosso livro “Análise Filosófica do Espiritismo”.
1.5.       Julgamos que a Medicina, como saber, é universal, não cabendo especificá-la em relação a grupos étnicos, culturais ou a doutrinas.  Por isso não podemos falar de uma Medicina Espírita. Podemos dizer que futuramente a Medicina adotará os conhecimentos revelados pelo Espiritismo e os desenvolverá, através de pesquisas racionais, pois a finalidade da revelação é apenas de dar o primeiro impulso [GE Cap.1].
1.6.       Cremos que o futuro da Medicina reside na Bioquímica e mais certamente na Biofísica. Não resta dúvida que a Força Vital será objeto de estudo da Biofísica e o perispírito, definido como sendo de matéria sutil, nada mais é do que o somatório de campos eletromagnéticos produzidos pelas reações bioquímicas do organismo. Por isso também será a Biofísica que descobrirá suas propriedades e aplicações deste.
1.7.       Conclusão. A verdadeira Medicina será aquela que só admitirá o quer for descoberto e desenvolvido pela Ciência, nunca admitindo opiniões infundadas de leigos ou teorias criadas em divãs. A admissão das revelações espíritas não será feita por credulidade, por fanatismo. Ela será o resultado da pesquisa em laboratórios, estudos por analogia e inferência estatísticas. Recomendamos a leitura do Capítulo VII, Antropologia Filosófica Espírita, e do Capítulo XXI, Filosofia Espírita da Ciência, ambos de nosso livro ANÁLISE FILOSÓFICA DO ESPIRITISMO.     



CAPÍTULO II
2. PERSONALIDADE E DESENVOLVIMENTO.

2.1.                                           O Espiritismo sendo uma doutrina reencarnacionista, a personalidade de um Espírito não se formará em uma única reencarnação. Será o produto das múltiplas vidas (experiências de vida – vivências), em diferentes graus de culturas, em ambos os sexos, em diferentes escalas sociais e econômicas. Usamos o conceito psiquiátrico de personalidade: conjunto de temperamento e caráter. Por temperamento definimos o modo de ser (tendências).  Por caráter, o modo de agir (conduta).
2.2.                                           O Ser, sendo o Espírito, para estudarmos sua personalidade (“persona”, “máscara’, como se apresenta em diferentes situações) e seu desenvolvimento temos que estudar a Segunda Parte do LE, que trata da vida espiritual, desde a criação do Espírito, sua reencarnação, desencarnação e sua passagem pelo mundo desencarnado. A criação dos Espíritos é permanente (LE 80), por isso em qualquer orbe reencarnatório, encontramo-los em diferentes graus de evolução intelectual e moral. Em LE 115, é afirmado que eles são criados simples e ignorantes. Com o curso das reencarnações elas vão adquirindo, cada um a seu modo, graus diferentes de intelectualidade e moralidade.
2.3.                                          Em LE 79, é dito que o Espírito é individualização do Princípio Inteligente e o mesmo é confirmado em LE 607 A e LE 611. Portanto, afirmação da LE 115, permite concluir que a simplicidade e ignorância do Espírito estão em seu estágio de Princípio Inteligente e que ele não é diretamente criado como Espírito. De LE 114 à LE 127, há o título em negrito “Progressão dos Espíritos”. Portanto, o Espírito muda de “persona pois está sempre em evolução. Para o Espiritismo a “personalidade” é sempre mutante, mas evoluindo, nunca regredindo. Sob o Título em negrito “Transmigrações progressivas” (LE 189 a LE 196) é explicado que o Espírito, a cada reencarnação, se aperfeiçoa, um dia chegando à perfeição (Vide item 6.2.3. do nosso livro “Análise Filosófica do Espiritismo”). Há quatorze citações de que o Espírito deve evoluir moral e intelectualmente, mas não forçosamente paralelamente. LE 127, LE 192; LE 365; LE 560; LE 560; LE 566; LE 685 A; LE 751; LE 779; LE 780; LE 785; LE 791; LE 792 A; LE 767.
2.4.                                           Livre arbítrio. É a livre vontade. Logo que o Princípio Inteligente se individualiza e torna-se Espírito, sua vontade livre é mínima, ainda sendo guiado pelo instinto (LE 71 – 75 A, título em negrito “Inteligência e instinto”). À medida que evolui cultural e moralmente, a influência do instinto diminui e o espírito consegue reger melhor sua vontade. Vide item 9.9. de nosso livro “Análise Filosófica do Espiritismo”.
2.5.                                           Inatismo. “Idéias inatas”, de LE 218 a LE 221, é afirmado que o Espírito reencarna com seu cabedal intelectual (cognitivo), afetivo, volitivo, estético e ético, o que constitui o que o livro chama de “idéias inatas”. Vemos que inatismo não se restringe apenas ao campo cognitivo, estendendo-se ao afetivo e ético. Portanto, achamos mais apropriado chamarmos “propensões inatas”.
2.6.                                          O que constatamos é que, ao nascermos, essas “propensões inatas” não são evidentes, dando-nos a idéias que a criança seria um “tabula rasa”. Disso surgiu um forte corrente filosófica chamada “Empirismo” ou “Empiricismo  que, em relação à fonte do conhecimento, admitia que tudo era adquirido após o nascimento: as “propensões inatas” não eram admitidas. Essa aparente contradição é explicada no Cap. VII da 2ª. Pt do LE, especificamente em LE 340, LE 347, LE 351, LE 380, LE 365, EE 8 :4., GE  11:20..      É dita que a encarnação inicia-se no momento da fecundação e se conclui quando a criança faz a primeira inspiração. Durante o período gestacional o Espírito sofre muitas perturbações (troubles, no original francês), a fim de que esse cabedal seja inibido e torne a criança mais suscetível à educação e à evangelização nos primeiros anos de vida, visando a modificar suas más tendências. Sobre a infância, é falado da LE 379 a LE 385. Nessa última é explicado porque surgem muitos conflitos na adolescência. O Espírito dos 15 aos 20 começa a perder essas “perturbações” (“bloqueios”) e sua verdadeira personalidade começa a aflorar. Se ela não tiver sido burilada por  boas educação e evangelização e ele tenha maus pendores, os desajustes juvenis começam a aparecer. Achamos que o termo “bloqueio” seja mais adequado que o de “perturbação” (trouble). Um dos fundadores da corrente psicológica chamada Behaviorism(Comportamentalismo), J. B. Watson, em seu livro,  Behaviorismo, publicado em 1920, faz uma afirmação que ficou famosa, constituindo-se em um marco para Psicologia. Ele afirmou se lhe dessem 12 crianças sadias e liberdade de criá-las, poderia transformar uma em médico, outra em advogado e até em mendigo e ladrão, independentemente de seus talentos, propensões, tendências, aptidões e vocações. Ele mostra uma posição “tabula-rasista”. Mas o que ele interpreta como “tabula rasa”, é uma percepção imperfeita da realidade. As crianças nascem com suas propensões, talentos, etc., bloqueados, para ficar suscetível a uma boa educação. Watson transformaria em bons cidadãos os espíritos que trouxessem boas propensões de outras reencarnações e em mendigos ou em ladrões, os que trouxessem as más. De acordo com LE 385, entre os 15 e 20 anos esses bloqueios vão se desfazendo aos poucos e as propensões, talentos, etc., vão aparecendo aos poucos. Se não forem dados melhores valores morais ao Espírito reencarnado, ele volta a ser o que foi na última reencarnação. Se as propensões, talentos, vocações forem boas, por pior que tenha sido educado, ele jamais regredirá. Se forem boas, ele progredirá. Os “tabula-rasistas” chegaram perto do problema, mas não perceberam os outros elementos que estão interferindo na formação da personalidade e desenvolvimento do Espírito reencarnado.
2.7.                                           Personalidade segundo o Espiritismo. Considerando personalidade o conjunto de temperamento e caráter, teremos: a) sendo o temperamento omodo de ser, para o Espiritismo, esse modo de ser é o cabedal cármico mais as aquisições que conseguiu assimilar da educação e da evangelização recebidas; b) caráter, o modo de agir, esse modo de agir será a prática, a conduta desse cabedal conjugado a essas aquisições.
2.8.                                           Desenvolvimento. Na 3ª. Pt do LE 3, Cap X, Lei da Liberdade é discorrido sobre os temas liberdade de consciência, livre arbítrio, fatalidade, conhecimento do futuro, que dão noções de como ocorre o desenvolvimento do Espírito encarnado. Em LE 872 (Resumo teórico do móvel das ações humanas), mostra as motivações da conduta do Espírito encarnado, que poderão ser utilizadas para remodelar um Espírito que traga imperfeições de reencarnações passadas. No  EE 3. (Há muitas moradas na casa de meu pai) mostra que o Espírito evolui moral e intelectualmente e reencarna em um mundo compatível com seu nível de evolução. Há cinco categorias de orbes onde os Espíritos evoluem, reencarnando no mundo físico: mundo primitivo, onde não há distinção ética; mundo de provações e expiações, onde há distinção ética, mas o mal predomina sobre o bem (a situação atual da Terra); mundo de regeneração, onde o mal é igual ao bem;mundo feliz, onde o bem predomina sobre o mal e o mundo celestial onde só há o bem. A partir de então, o Espírito passa evoluir sem precisar reencarnar, só  o fazendo esporadicamente como missionário. No EE 4. (Ninguém poderá ver o reino de Deus se não renascer de novo), mostra como a reencarnação no mundo físico contribui para o desenvolvimento do Espírito. As vicissitudes dos mundos físicos, os embates interpessoais que  enfrenta, as frustrações da velhice, levam o Espírito, no curso de várias reencarnações, vivenciar a transitoriedade das benesses do mundo físico, só valorizando o que lhe possa evoluir espiritualmente.
2.9.                                          Vide o item 7.3. (As características humanas) do nosso livro Análise Filosófica do espiritismo, Cap. VII Antropologia filosófica do Espiritismo.



CAPÍTULO III
3. CONDUTA ESPÍRITIA.
3.1  Entendendo-se como conduta  como o modo de uma pessoa agir no mundo físico, suas reações intelectivas, afetivas e éticas, encontraremos orientações no Cap. XII da 3ª. Pt, LE 893 a LE 919 (Da perfeição moral), no LM do n° 226 ao n° 239 (Da influência do médium), EE 17 (Sedes perfeitos), EE 23 (Estranha Moral) e em GE 3. (O bem e o mal).
3.2  LE Cap XII, LE 893 à LE 906 fala das virtudes e vícios. Os vícios são a herança que trazemos de nossa individuação, quando passamos de Princípio Inteligente a Espírito, reencarnando então só como ser humano. Essa “individualização” foi necessária e já bruxuleava quando éramos sem individualidade, quando apenas Princípio Inteligente. Nossas reações instintivas para preservar o corpo físico e a espécie, levávamos a matar, agredir. Isso visava sermos o macho ou a fêmea alfa e gozar dos privilégios na alimentação e na procriação. Individualizados, tornamo-nos Espíritos, começamos a reencarnar como Seres Humanos, mas preservamos esses caracteres que se manifestam em forma de egoísmo, egocentrismo, egolatria, agora agravados pela inteligência. Podemos melhor, com mais perícia, fazendo uso da inteligência e das habilidades dos pés e das mãos, derrubar nosso próximo, que sempre é visto como uma concorrente, mas nunca como um cooperador. É dito que o egoísmo (LE 913 – 917 e EE 11:11.12. - “O Egoísmo”) é a base de todos os outros vícios: inveja, ciúme, rancor, vingança, falta de indulgência e complacência, mesquinhez, maledicência, indiscrição, etc.. As paixões (LE 907 a LE 912) são esses vícios, que até certo nível é tolerado (LE 907 “Será substancialmente mau o princípio originário das paixões, embora esteja na Natureza? Não: a paixão está no excesso de que se acresceu  vontade, visto que o princípio que lhe dá origem foi posto no homem para o bem, tanto que as paixões podem levá-lo à realização de grandes coisas. O Abuso delas se faz a causa do mal.”[grifo nosso]). Em LE 918 há os caracteres do homem de bem: 1) pratica da lei de Deus e compreensão da vida espiritual; 2) pratica a justiça, o amor; 3) faz o bem pelo bem, sem esperar reconhecimento ou retribuição; 4) bondoso, humanitário, benevolente, 5) não abusa dos poderes temporais (riqueza e posição social; 6) indulgente e complacente. A noção de homem de bem está também no EE 17:3. (O Homem de bem) e EE 17:4. (Os bons Espíritas). Nesse último item, o final traz a definição do bom espírita: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas más inclinações.” Para sermos bons espíritas ou pessoas de bem temos que ter tido uma transformação moral e tentar as más inclinações que ainda existam. O Ser humano toma papel ativo sem sua melhora. Isso já influenciará o critério para distinguir entre sadio e doente: transformação moral e esforço. O sadio é aquele que realiza sua transformação moral tranqüilamente, fazendo o bem pelo bem, sem precisar resgatar erros que teria cometido se agisse de outra forma. Seu esforço é mínimo para vencer as más inclinações que ainda traga. O doente é aquele que ainda está preso ás paixões que adquiriu com sua individualização, repercutindo no corpo físico e no controle de sua conduta, pois, parte dos resquícios do comportamento instintivo animal, já são incompatíveis em sua condição humana.
3.3  LM do n° 226 ao n° 239 (Da influência moral do médium). È perguntado se o desenvolvimento da mediunidade guarda relação com o desenvolvimento moral do médium. A resposta é negativa. A mediunidade é universal. Ela pode ocorrer em pessoas de elevada moral como em pessoas vis, em sadios e em doentes, em ambos os sexos sem preferência, em crianças, adolescentes, jovens, adultos, gerontes e provectos. No EE 24:12., há o comentário: “Há quem se admire de que, por vezes, a mediunidade seja concedida a pessoas indignas, capazes de a usarem para o mal. (...) a mediunidade é inerente a uma disposição orgânica, de que qualquer homem pode ser dotado(...).(...) a mediunidade não implica necessariamente relações habituais com Espíritos superiores. É apenas uma aptidão para servir de instrumento dúctil aos Espíritos, em geral.O bom médium, pois, não é aquele que comunica facilmente, mas aquele que é simpático aos bons Espíritos (...) [grifo nosso].”. No EE 26:9., há a afirmação: “A mediunidade, porém, não é uma arte, nem um talento, pelo que não pode tornar-se uma profissão. Ela não existe sem o concurso dos Espíritos(...).” item 10: “A mediunidade é coisa santa, que deve ser praticada santamente, religiosamente. (...) aquele que carece de viver, recursos em qualquer parte, menos na mediunidade; não lhe consagre, se assim for preciso, se não o tempo de que materialmente dispor.”
3.4  Pelo exposto, ser médium não é indício de elevação espiritual. É uma qualidade orgânica. Portanto, não há razão de nos centros espíritas haver uma hiper-valorização deles, como lhes reservando lugares especiais no auditório de palestras. Se o médium estiver sobrecarregado de atividades materiais, pode até se afastar da mediunidade, mas nunca fazer dela um complemento de meio de vida. É a conduta do médium, boa ou má, que fará que sua mediunidade seja boa ou má e não o inverso. É apregoado em centros espíritas, mormente nos que sofrem muitas influências de cultos animistas trazidos pelos escravos, que o indivíduo que apresenta perturbações mentais ou emocionais é um médium e precisa desenvolver essa mediunidade. Pelo que lemos, é justamente o oposto, “desenvolver” mediunidade em desequilibrados emocionais pode agravar o quadro. E, pelo exposto, se mediunidade é um dom e condição orgânica, não há como desenvolvê-la ou aprendê-la. Esses “cursos de médiuns” que pululam nos centros espíritas estão desorientados doutrinariamente. O bom espírita deve procurar conhecer profundamente a Doutrina e pautar-se por um comportamento probo. É esse conhecimento e esse comportamento que o tornará bom médium caso lhe seja concedido esse dom orgânico.
3.5  Homem de bem. É no Capítulo XVII do EE (Sedes Perfeitos) que está exposta em quase sua totalidade a Ética do Espiritismo. No item 3, há 19 características do Homem de bem.  Resumido, homem de bem deve praticar as virtudes, como amor, obediência, cumprimentos dos deveres, respeito à hierarquia, trabalho, liberdade com responsabilidade, fraternidade que consiste em cooperação e solidariedade em vez de competição. O bom espírita é o que procura ser um homem de bem e a síntese está em negrito no item 3 desse Capítulo XVII (EE)..
3.6  Dever. EE 17:7. “O dever é a obrigação moral da criatura para consigo mesma, primeiro, e, em seguida, para com os outros. O dever é a lei da vida.”Para a Doutrina, o “dever” é fundamental, não permitido idéias liberais e libertárias, que colocam o direito na frente do dever. “Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de cumprir-se, por se achar em antagonismo com as atrações do interesse e do coração.” A Doutrina reconhece a influência da vida afetiva afetando o cumprimento do dever. Cabe ao que deseja ser um bom espírita, tentar refrear suas emoções. A visão romântica que pretende que a emoção supere a razão é incompatível com o Espiritismo. O dever nos impõe uma conduta que tem que ser cumprida, agradando ou não. “O dever principia, para cada um de vós, exatamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranqüilidade do vosso próximo; acaba no limite que não desejais ninguém transponha com relação a vós. O homem que cumpre o seu dever ama a Deus mais do que as criaturas e ama as criaturas mais do que a si mesmo. É a um tempo juiz e escravo em causa própria.O dever é o mais belo laurel da razão (...). O homem de bem não tem que se preocupar com a popularidade; seu compromisso é somente com a verdade, com a Lei de Deus. O homem de bem não pode querer ser “politicamente correto”,  “carneiro de Panurgo”, seguir o “alfa” do rebanho; incondicionalmente ele cumpre a Lei de Deus, quer isso venha agradar ou não ao resto do rebanho.
3.7  Virtude. Encontramos no item EE 17:8. “A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades do homem virtuoso.” Consideramos as paixões como o oposto ás virtudes. Mas certo grau de paixão, sem exagero, encerra u pouco de virtude: LE 907: “Será substancialmente mau o princípio originário das paixões, embora esteja na natureza? Não; a paixão está no excesso de que se acresceu a vontade, visto que o princípio que lhe dá origem foi posto no homem para o bem, tanto que as paixões podem levá-lo à realização de grandes coisas. O abuso delas que se faz é a causa do mal.” A hipocrisia, que é chamada pejorativamente por nós de bom-mocismo é o mesmo que pieguice, delicadocismomelifluidade, sentimentalismo exagerado, é uma falsa virtude. Geralmente está emulada pela vaidade de aparecer: “mais vale pouca virtude com modéstia, do que muita com orgulho.” (EE 17:8). Nem Cristo conseguiu agradar a todos, por isso morreu crucificado.
3.8  Hierarquia. Em EE 17:9., é comentada a relação entre “superiores” e “inferiores” (seria melhor, subalternos). Defende a obediência, respeito a leis, superiores e, em compensação, magnanimidade por parte destes. A solidariedade deve estar sempre presente. Os mais poderosos são para protegerem e orientarem os mais fracos. A competição e a luta pela sobrevivência são incompatíveis com a Doutrina: “Se te dei subordinados, não foi para que os fizesse escravos da tua vontade, nem instrumentos dóceis aos teus caprichos ou à tua cupidez; fiz-te forte e confiei-te os que eram fracos, para que os amparasses e ajudasses a subir ao meu seio.”(...)” Mas, se o superior tem deveres a cumprir, o inferior, de seu lado, também os tem e não menos sagrados.”(...). “(...) as faltas de uns não justificam as de outrem.”
3.9  O Homem no mundo. O item EE 17:10. A Doutrina defende que o Espírito encarnado tem o direito de usufruir os bens materiais desse Mundo. O erro está no abuso. As concepções de ascese, de eremitagem, de misticismo ou cenobitismo são incompatíveis com a Doutrina. “Não julgueis, todavia, que, exortando-vos incessantemente à prece e à evocação mental, pretendamos vivais uma vida mística” (...) “vivei com os homens da vossa época, como devem viver os homens.” (...) “Sois chamados a estar em contacto com espíritos de naturezas diferentes, de caracteres opostos: não choqueis a nenhum daqueles com quem estiverdes.” (...) “Unicamente no contacto com os seus semelhantes, nas lutas mais árduas é que ele encontra ensejo de praticá-la. Aquele, pois, que se isola priva-se voluntariamente do mais poderoso meio de aperfeiçoar-se; não tendo de pensar senão em si, sua vida é a de um egoísta. (Capítulo V, nº 26.)”(...)” Ditosos sede, segundo as necessidades da Humanidade(...)”.
3.10    Cuidar do corpo e do Espírito. Essa afirmação além de mostrar o dualismo entre corpo e mente do Espiritismo, mostra que devemos como Espíritos cuidar de nosso aperfeiçoamento, mas devemos também dispensar cuidados ao corpo físico que é nosso instrumento de trabalho nesse Mundo. Nós não somos o proprietário do corpo físico com o qual reencarnamos. Ele pertence a Deus. Somos apenas seu mordomo. E temos que exercer a mordomia do corpo físico com maestria. Flagelá-lo, deixar de medicar-se, mortificar-se é macular uma propriedade que não é nossa. “Dois sistemas se defrontam: o dos ascetas, que tem por base o aniquilamento do corpo, e o dos materialistas, que se baseia no rebaixamento da alma. Duas violências quase tão insensatas uma quanto a outra.”(...) “Amai, pois, a vossa alma, porém, cuidai igualmente do vosso corpo, instrumento daquela. Desatender as necessidades que a própria Natureza indica, é desatender a lei de Deus. Não castigueis o corpo pelas faltas que o vosso livre-arbítrio o induziu a cometer e pelas quais é ele tão responsável quanto o cavalo mal dirigido, pelos acidentes que causa.” (...) “Sereis, porventura, mais perfeitos se, martirizando o corpo, não vos tornardes menos egoístas, nem menos orgulhosos e mais caritativos para com o vosso próximo? Não, a perfeição não está nisso: está toda nas reformas por que fizerdes passar o vosso Espírito.”
3.11    Desprendimento. O EE 26 aborda o tema evangélico “Daí gratuitamente o que gratuitamente recebestes”. É o desprendimento que devemos tentar ter pelas coisas desse Mundo que aqui vamos deixar ao desencarnar. Se temos talento para algum ofício ou profissão, podemos desenvolvê-lo. O esforço que fazemos para desenvolvê-lo, aperfeiçoá-lo, deve ter como causa primária servir ao próximo, tornarmo-nos um instrumento melhor da vontade de Deus.  Para satisfazermos nossas necessidades materiais podemos angariar recursos com esse talento, desde que sejam para a segurança e conforto, nunca para o luxo, esbanjamento ou ostentação. É consagrado para o uso, mas abominável para o abuso. A mediunidade, sendo um dom orgânico que recebemos gratuitamente, deve ser exercida também gratuitamente (EE 26:7 – 10). O desprendimento das coisas materiais é uma característica da conduta espírita.