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quinta-feira, 28 de julho de 2011

CARÁTER DA REVELAÇÃO ESPÍRITA -

1) Qual o conceito de caráter?

Caráter pode ser entendido como os traços marcantes da personalidade. São os traços que identificam uma determinada pessoa. No sentido da Doutrina Espírita, a palavra caráter refere-se à autenticidade dos ensinos transmitidos pelos benfeitores espirituais.
2) Que significa revelar?

Revelar – Do latim revelare significa, literalmente, tirar o véu. Figuradamente, fazer conhecido o que era ignorado ou esquecido. Neste caso, qualquer um de nós pode ser um revelador para o seu próximo; basta transmitir-lhe algo que desconhecia. No sentido teológico, é o ato pelo qual Deus manifesta aos homens o Seu desígnio de salvação e Se lhes dá a conhecer.
3) Que tipo de revelação podemos ter?
A revelação pode ser humana e divina. É humana quando é feita pelo homem. É divina quando é feita por Deus. A revelação divina, por sua vez, pode ser natural e sobrenatural. É natural quando o ser humano, pela sua condição de ser pensante, consegue captar os desígnios de Deus. É sobrenatural quando o teor da mensagem extrapola o nível de conhecimento do ser humano.
4) Que termos usamos para indicar a revelação encarnada no Velho e no Novo Testamento?
No Velho Testamento, não há um termo específico para designar a revelação. Há, sim, intermediários da revelação, que são: Moisés, os profetas, os salmistas e os sábios.
No Novo Testamento, os termos para indicar a revelação são: keryssein ("anunciar", "pregar"), evangelizesthai("evangelizar"), didaskein ("ensinar"), apokalyptein ("revelar") e matheteúein ("fazer discípulos", "instruir"). No Novo Testamento, Cristo é o único Mediador propriamente dito da revelação. Os apóstolos são meros divulgadores, evangelizadores, mas não reveladores.
5) Teologicamente, como são arbitradas as revelações?
As revelações são arbitradas nos concílios. Observe que no Concílio de Trento, a revelação é o anúncio do Evangelho prometido aos profetas, pregado pelos apóstolos, e transmitido à Igreja para que ela o conserve em toda a sua pureza. O Concílio Vaticano II, por sua vez, consagrou à revelação o cap. I da Constituição dogmática Dei Verbum: a) a revelação é um diálogo interpessoal entre Deus e os homens; b) a revelação é progressiva; c) a revelação é constituída por acontecimentos e palavras; d) Cristo é o vértice da revelação.
6) Em que consiste a revelação espírita?
Allan Kardec, no livro A Gênese, diz: "Por sua natureza, a revelação espírita tem duplo caráter: participa ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação científica". A revelação espírita é de origem divina e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem. Os Espíritos superiores inspiram os homens. Estes, por sua vez, devem se valer das pesquisas científicas, para alicerçar esses conhecimentos.
7) É possível a revelação direta de Deus?
Sim. Mas não é assim que funciona. Diz-se, por exemplo, que Deus se manifestou diretamente a Moisés. A manifestação direta é uma força de expressão. No caso, os Espíritos superiores transmitiram os Dez Mandamentos a Moisés, em virtude da grande mediunidade que este possuía.
8) Por que a revelação espírita só apareceu no século XIX? Não poderia ter vindo antes?
A revelação espírita participa ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação científica. Sendo assim, não poderia ter surgido antes que a ciência tivesse se desenvolvido, principalmente através do método teórico-experimental. Se viesse antes, teria abortada, como tudo o que é prematuro.
9) O Espiritismo é a terceira revelação divina? Por quê?
Porque os seus princípios doutrinários se ajustam perfeitamente aos dizeres de Jesus sobre o Consolador Prometido. Não é uma revelação pessoal. Veio no tempo certo, ou seja, depois do desenvolvimento das ciências.
10) Outras questões: Que tipo de revelação nos trouxe Chico Xavier? E o Espírito Emmanuel? Quais os fundamentos da revelação da Boa Nova? Qual a importância da mediunidade na revelação? O que os Espíritos revelaram a Allan Kardec?

Bibliografia Consultada

KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.
Abril/2008